Fonte: Portal Rádio Itatiaia Online
Uma força-tarefa liderada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) desmantelou um esquema de produção e comercialização clandestina de bebidas alcoólicas em Curitiba. A operação conjunta resultou na apreensão de centenas de garrafas de licores e cachaças que eram fabricadas sem nenhum registro ou controle sanitário.
A ação contou com a participação crucial de auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Sipov-PR) e do programa Vigifronteiras, além do apoio da Delegacia de Crimes contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon) e do Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR).
Fábrica improvisada abastecia cartões-postais da capital
As investigações começaram a partir de uma denúncia recebida pela Polícia Civil. O Mapa, que já monitorava o estabelecimento por suspeitas de irregularidades, uniu forças para deflagrar a operação.
Os fiscais constataram que a linha de produção clandestina funcionava em um imóvel residencial adaptado para a atividade. O ponto mais preocupante para as autoridades era a localização estratégica das vendas: os produtos sem procedência eram comercializados nas proximidades da Pedreira Paulo Leminski e da Ópera de Arame, dois dos maiores e mais movimentados pontos turísticos de Curitiba.
Raio-X da apreensão: insumos, barris e cachaça com jambu
Durante a incursão, os agentes apreenderam um verdadeiro arsenal de insumos, que incluía desde bebidas prontas até embalagens e rótulos falsificados. Ao todo, foram recolhidos:
61 garrafas de licor de sabores diversos;
56 garrafas totalmente sem rotulagem e 56 garrafas abertas em uso;
9 garrafas e 3 barris de cachaça;
551 minigarrafas de licor prontas para o comércio;
6 bombonas de 20 litros cheias de bebida e 87 recipientes com misturas de cachaça e ingredientes vegetais.
Além das apreensões, a equipe técnica coletou amostras específicas de cachaça com jambu e de licores. O material foi lacrado e enviado para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) em Jundiaí (SP). As análises físico-químicas vão determinar se havia substâncias tóxicas ou nocivas à saúde humana na composição, o que pode agravar a situação jurídica dos responsáveis.
Rastreabilidade e segurança do consumidor
Em função do flagrante de clandestinidade, o estabelecimento foi autuado e responderá a um rigoroso processo administrativo, em paralelo ao inquérito policial conduzido pela Delcon.
O Mapa reitera que o registro de estabelecimentos e produtos não é mera burocracia, mas a única garantia de rastreabilidade do que chega ao consumidor. Pela legislação federal, toda e qualquer bebida comercializada no Brasil – o que inclui produções artesanais, de agricultura familiar ou coloniais – deve, obrigatoriamente, exibir o número de registro do Ministério da Agricultura em seu rótulo.
As investigações criminais seguem em andamento para identificar o tamanho da rede de distribuição das bebidas e os riscos gerados à saúde pública local.







