O Conselho dos Delegados Sindicais (CDS) funciona como uma importante instância deliberativa dentro do Anffa Sindical. Funcionando como uma ponte entre a base e a Diretoria Executiva Nacional (Direx), o órgão é composto pelos Delegados Sindicais eleitos especificamente para este fim durante a Assembleia-Geral Nacional Ordinária.
Na prática, o Conselho atua como um “parlamento” da categoria. Suas principais atribuições incluem o poder de fiscalizar a gestão, acompanhando junto à Direx se as decisões e diretrizes aprovadas nos fóruns máximos do sindicato (a Assembleia-Geral Nacional e o Congresso Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários – Conaffa) estão sendo devidamente implementadas.
Além do papel de controle, o CDS tem poder de decisão em questões estratégicas e emergenciais. Cabe ao colegiado analisar e deliberar sobre propostas e representações que chegam até ele, bem como autorizar a realização de despesas que estejam fora do orçamento previsto, garantindo agilidade e representatividade nas decisões que impactam os Auditores Fiscais Federais Agropecuários em todo o país.

É nesse cenário que o AFFA Victor Vilas Boas Gonçalves Ramos atua como delegado sindical do Acre. Para ele, que ingressou na carreira em 2014, o despertar para a luta sindical veio da necessidade de mudar percepções. “Meu envolvimento foi despertado pela necessidade de buscar melhorias e mudar visões consideradas inadequadas na categoria”, afirma. E é justamente no CDS que ele encontra o ambiente ideal para promover essas transformações. “O CDS é o espaço fundamental onde os delegados se reúnem para discutir as demandas vindas das bases. É a instância primária para quem necessita de mudança, permitindo o encaminhamento antecipado de propostas.”
Victor observa que, no Acre, as demandas dos filiados são relativamente homogêneas, mas nota uma particularidade que são as demandas dos colegas novos por mais atenção em relação a concursos de remoção e dificuldades administrativas.

Aposentado desde 2018, o delegado sindical de Pernambuco, Luiz Gonzaga, destaca o CDS como um termômetro crucial para captar essas insatisfações. “O CDS é um fórum essencial para captar demandas das bases, abrangendo desde planos de saúde e lazer até remuneração condizente e segurança no ambiente de trabalho”, lista. Para ele, as dificuldades são unificadas, apesar das distâncias. “As demandas semelhantes das bases são unificadas, focando em dificuldades de convivência e maior visibilidade e interação com a cúpula administrativa na sede do MAPA.”
A situação em Pernambuco ilustra a gravidade dos problemas estruturais enfrentados nos estados e que muitas vezes são item de pauta do CDS. “Há sérios problemas estruturais na superintendência, com riscos físicos para os servidores devido à falta de reforma do prédio, levando a possíveis ações contra o superintendente por negligência”, alerta o delegado. Apesar da gravidade do cenário local, Gonzaga reconhece os limites da atuação sindical frente ao executivo federal.
O desafio de harmonizar realidades distintas
Presidir o CDS e transformar essa infinidade de demandas regionais em uma pauta coesa é o desafio apontado pela coordenadora do Conselho, Gisele Leite Camargo, que assumiu a coordenação do colegiado no último ano. Também atuando como delegada sindical de São Paulo, ela explica que o CDS funciona como um grande caldeirão de experiências, onde as diferenças são o ponto de partida para a construção de um caminho comum.
“Como as realidades nos estados são bastante diferentes, as demandas são canalizadas para cá, e aqui é onde a gente consegue debater com as diferentes realidades”, explica Gisele. “E a gente também tem essa diferença de expertise, de tempo de trabalho, de tipo de atividade, porque cada um faz um tipo de atividade. Temos delegados que são aposentados e delegados que são ativos. Então, aqui a gente acaba fazendo essa mescla e é onde a gente acaba tendo essas discussões para tentar delinear um caminho.”
O funcionamento do Conselho, segundo a coordenadora, é a base do processo democrático da entidade. “E daqui a gente tira as indicações das demandas dos delegados, que a gente encaminha para a Diretoria Nacional trabalhar. A gente faz as indicações para eles trabalharem o atendimento das demandas que são captadas pelos delegados e aprovadas pela maioria dos presentes. E é a partir disso que a gente faz esse encaminhamento para providências e o trabalho da diretoria nacional.”
Gisele, que era primeira secretária e assumiu a coordenação após o falecimento do antecessor, Simplício Alves de Lima, revela que o principal obstáculo é justamente conciliar os interesses regionais com o bem comum da categoria. “A grande dificuldade é você harmonizar essa parte dessas diferenças de realidade, porque o fluxo e a quantidade de demandas e de problemas acabam muitas vezes sendo regionais. E aí você tem que convencer a maioria de que aquilo é importante para todos, que é importante para a categoria, e o quanto aquilo impacta na vida do filiado para que ele se sinta representado e atendido nas suas demandas.”
Os delegados sindicais estão reunidos, até esta quinta-feira (12), em Brasília, para tratar, entre outros pontos, da campanha por reajuste e/ou equiparação dos AFFAs às outras carreiras de auditorias, da atualização sobre o andamento dos processos de judicialização da gratificação para encarregados de SIF e de judicialização da portaria dos credenciados, e da elaboração de um manual de conduta do AFFA.







