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Seminário promovido pela DS-DF com apoio do Anffa Sindical debate gênero, assédio e masculinidade no serviço público

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O auditório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi palco, nesta terça-feira (19), de um seminário que colocou em evidência um debate urgente, mas ainda marginalizado em muitos espaços de poder: as relações de gênero, o enfrentamento ao assédio e a construção de uma administração pública mais inclusiva. Promovido pela Delegacia Sindical do Distrito Federal (DS-DF) com apoio do Anffa Sindical, o seminário “Serviço Público e questões de gênero: enfrentando discriminações” reuniu servidores, advogados e ativistas em torno de um diagnóstico comum que ocorre no ambiente de trabalho e reproduz muitas vezes as desigualdades históricas.

O presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo, agradeceu a participação dos servidores e disse que é uma grande oportunidade de discutir temas de importância para a boa convivência no ambiente de trabalho. Pablo adiantou que o combate ao assédio era uma das pautas de reunião com o Ministério da Agricultura, que ocorreria no mesmo horário do seminário. “Parte da diretoria executiva vai participar de uma mesa setorial com o Mapa, onde um dos temas é o reforço na solicitação da publicação da portaria contra o assédio. Essa portaria já está pronta e discutida, mas sabemos que há resistências ao projeto, que tem tudo para contribuir significativamente com o nosso órgão.”

Durante sua fala, a presidente do Sinditamaraty, Gabriela Drummond Afonso Perfeito, trouxe dados que escancaram a realidade das servidoras públicas. Apesar de serem maioria no funcionalismo, as mulheres permanecem sub-representadas nos altos escalões. “Também não têm poder de decisão. As mulheres negras não participam das camadas de decisão no serviço público”, afirmou. Para ela, as desigualdades não são fruto do acaso: “Elas replicam estruturas históricas e culturais que estão muito enraizadas no nosso país.”

Gabriela destacou ainda a sobrecarga imposta às mulheres, que conciliam o trabalho formal com responsabilidades de cuidado, na maioria das vezes não remuneradas e desvalorizadas.

Assédio como problema estrutural
Ela apresentou dados alarmantes oriundos do Ministério Público do Trabalho evidenciando um fenômeno que não pode ser tratado como conflito entre duas pessoas. Segundo a palestrante, em 2025 foram registrados 1.442.828 novos processos de assédio moral no trabalho, uma alta de 22% em relação ao ano anterior. Já os casos de assédio sexual somaram 12.813 novas ações trabalhistas, 40% a mais do que em 2024.

Eliane Monteiro Cesário, advogada e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Assédio do Sinditamaraty, trouxe uma reflexão contundente sobre a naturalização da violência. “Quando a gente fala da precarização do servidor público, é porque nós não tomamos posse dessa identidade”, criticou.

Para Eliane, o desconhecimento é a raiz do problema. “Existe um provérbio que adotei: o meu povo perece com a falta de conhecimento.” Ela destacou que, muitas vezes, as próprias vítimas ou até mesmo outras mulheres reproduzem comportamentos discriminatórios. “Na maioria das vezes, atrás de uma denúncia de assédio, a gente encontra discriminação de gênero, raça, orientação sexual, idade, religião.”

A advogada falou também do livro “Assédio é violência: o enfrentamento que constrói o amanhã”, lançado pelo Sinditamaraty, com a colaboração de especialistas renomados em artigos focados na prevenção do assédio no setor público.

Barreiras estruturais e o poder masculino
A publicitária e historiadora Carolline Sardá, criadora do Clube de Leitura Feminista, fez uma análise política da ocupação dos espaços de poder. “O poder, na maioria das vezes, é masculino. Não dá para falar que o poder é feminino, porque historicamente não é”, afirmou. Ela alertou para o risco de mulheres, ao chegarem à liderança, reproduzirem padrões violentos. “Mulheres quando tentam alcançar o poder olham ao redor e só veem homens. Aí começam a imitar o que eles fazem. Não adianta lutar por mulheres no poder sem letramento.”

Carolline também fez um chamado à interseccionalidade: “Mulheres negras, indígenas, trans, lésbicas, mulheres mais velhas, todas enfrentam barreiras adicionais. Quando a gente fala de mulheres em espaços de poder, na maioria das vezes pensamos em mulher branca. É nosso papel, enquanto mulheres brancas, romper o pacto da branquitude e ceder espaços.”

“Isso também é papo de homem”
O professor e sociólogo Sandro Justo abordou a crise da masculinidade no contexto do capitalismo neoliberal e a ascensão de movimentos como o “Red Pill”. “O homem que aprendeu desde cedo que o principal símbolo da sua masculinidade é ser o provedor agora tem que lidar com uma sociedade em que não consegue nem prover a si mesmo”, explicou.

Sandro relacionou esse mal-estar ao crescimento da misoginia como identidade política. “Hoje, reproduzir a misoginia não é apenas consequência de uma estrutura social, é uma bandeira de luta.”

O professor defendeu que homens progressistas precisam se envolver no debate. “Nós, do campo progressista, passamos décadas sem acompanhar as feministas no debate. O silêncio dos homens é consequência da busca por validação entre outros homens.”

A diretora de Comunicação e Relações Públicas da DS/DF, Patrícia Santana Ferreira, abriu e fechou o evento reafirmando o compromisso da delegacia sindical com o tema. “É urgente que discutamos igualdade de gênero e enfrentamento às discriminações dentro e fora do serviço público. Esse evento é uma iniciativa para o início dessas discussões, que devem ser abraçadas pelos filiados do Anffa Sindical e também pelo Mapa como um todo”, concluiu.

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