Fonte: O Hoje | Essência/foto: Freepik
Viajar com animais de estimação exige planejamento, atenção ao conforto e cuidados específicos para garantir a segurança dos pets durante o trajeto. Seja em viagens curtas ou longas, especialistas alertam que a adaptação do animal ao movimento do veículo e o uso correto de equipamentos de transporte são fundamentais para evitar estresse, enjoos e até acidentes.
De acordo com a médica veterinária Giordanna Araujo, antes de colocar o animal no carro é importante observar como ele reage a deslocamentos. Segundo ela, alguns pets apresentam desconforto, náuseas e agitação já nos primeiros minutos de viagem. “O ideal é perceber se ele já teve contato com viagens anteriormente e como reage ao movimento. Isso ajuda a prevenir episódios de enjoo e desconforto”, explica.
A veterinária destaca que o transporte adequado é indispensável. Para viagens de carro, cães e gatos devem estar acomodados em caixas de transporte, cadeirinhas específicas ou utilizando cintos de segurança adaptados para pets, sempre no banco traseiro. Além de garantir a proteção do animal, a medida também evita distrações ao motorista.
Segundo a especialista, deixar o pet solto dentro do veículo representa risco tanto para o tutor quanto para o próprio animal. As orientações seguem recomendações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e do Código de Trânsito Brasileiro, que determinam o transporte seguro dos animais.
O comportamento do pet durante a viagem também merece atenção. Enquanto alguns animais costumam dormir, outros ficam mais inquietos ou desconfortáveis, principalmente os de porte grande. A veterinária explica que a personalidade e até a anatomia do animal influenciam diretamente na adaptação ao trajeto. “É importante analisar o conforto do pet como um todo, respeitando as características individuais de cada animal”, afirma.
Para trajetos longos, a recomendação é realizar pausas frequentes. O ideal, segundo Giordanna, é fazer paradas a cada 45 minutos para oferecer água, permitir a hidratação adequada e possibilitar que o animal faça suas necessidades fisiológicas. A medida também ajuda a reduzir o estresse causado pelo confinamento prolongado.
Os tutores também devem ficar atentos aos sinais de enjoo. Entre os sintomas mais comuns estão a chamada “mímica de vômito”, movimentos repetitivos da cabeça e o olhar fixo para cima. Caso isso aconteça, a orientação é interromper o percurso temporariamente para oferecer água e permitir que o animal se recupere.
Alguns pets possuem maior tendência a desenvolver náuseas durante viagens. Nesses casos, a veterinária recomenda iniciar um processo de adaptação com passeios curtos de carro antes de enfrentar trajetos mais longos. “Isso ajuda o tutor a entender melhor o comportamento e o nível de conforto do animal durante o movimento”, explica.
A alimentação também interfere diretamente no bem-estar do pet durante o percurso. A orientação é oferecer comida pelo menos 45 minutos antes da saída, reduzindo as chances de enjoo. Já o uso do ar-condicionado deve ser moderado, evitando temperaturas muito frias, principalmente em animais com imunidade mais baixa.
Em casos de ansiedade ou agitação excessiva, a recomendação é procurar orientação veterinária antes da viagem. Segundo Giordanna, alguns animais podem precisar de medicações específicas para tornar o trajeto mais tranquilo, mas ela reforça que nenhum medicamento deve ser administrado sem acompanhamento profissional.
Além dos cuidados físicos, fatores como barulho excessivo e música alta também podem afetar o comportamento dos pets, aumentando o nível de estresse durante o percurso. “A música pode interferir diretamente no comportamento do pet, já que cães e gatos possuem uma audição mais sensível e aguçada. Por isso, o ideal é optar por músicas mais calmas e tranquilas, incluindo até mesmo musicoterapias específicas para pets, que podem auxiliar na redução da ansiedade e proporcionar uma viagem mais confortável”, afirma.
Viagens internacionais
Viajar para o exterior com cães e gatos exige planejamento e atenção às regras sanitárias exigidas pelos países de destino. Antes do embarque, os tutores precisam providenciar documentos específicos que comprovem as condições de saúde do animal e atendam às exigências internacionais para o trânsito de pets entre países.
No Brasil, os principais documentos utilizados para viagens internacionais de cães e gatos são o Certificado Veterinário Internacional (CVI) e o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos. Ambos são emitidos por Auditores Fiscais Federais Agropecuários das unidades de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), vinculadas à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Os documentos funcionam como uma autorização sanitária e reúnem informações sobre vacinação, histórico de saúde e condições clínicas do animal. Sem essa documentação, o ingresso do pet em outros países pode ser impedido pelas autoridades locais.
As exigências, no entanto, variam conforme o destino. Alguns países solicitam apenas vacinação em dia e exames básicos, enquanto outros exigem microchip de identificação, quarentena, testes laboratoriais específicos e prazos mínimos entre a aplicação das vacinas e a data da viagem.
Por conta dessas diferenças, especialistas recomendam que o planejamento seja iniciado com meses de antecedência, principalmente em viagens para países com protocolos sanitários mais rigorosos. O tempo é considerado essencial para cumprir todas as etapas exigidas antes do embarque.
A responsabilidade de verificar as regras de entrada do animal é do próprio tutor. A orientação é buscar informações diretamente com a Embaixada ou Consulado do país de destino, além de consultar médicos veterinários e os canais oficiais do Ministério da Agricultura.
Além da documentação obrigatória, o transporte adequado e os cuidados com alimentação, hidratação e conforto do animal durante o trajeto também devem fazer parte da preparação para garantir uma viagem segura e tranquila aos pets. (Especial para O HOJE)







