Nos dias 5 e 6 de maio, Brasília sediou o 2º Congresso Internacional de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação no Serviço Público. O encontro reuniu Auditores Fiscais Federais Agropecuários, especialistas, autoridades e lideranças sindicais do Brasil, da Colômbia, do Equador e da Argentina para debater estratégias de combate ao racismo, ao sexismo e à violência institucional.
Promovido pelo Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) em parceria com o Anffa Sindical, o congresso evidenciou que o assédio e a discriminação não são problemas restritos ao Brasil, mas manifestações estruturais presentes em toda a América Latina.
Baixa representatividade e urgência de ação
Um dos painéis de abertura, intitulado “Transições de nosso tempo: agenda antirracista e de equidade na América Latina – liderança sindical feminina e negociação coletiva”, apresentou dados preocupantes: mulheres ocupam apenas cerca de 22% dos cargos no setor público. Entre mulheres negras, os índices são ainda menores.
“É preciso realizar um combate sério e constante ao racismo e ao sexismo do serviço público por meio da promoção de políticas de diversidade e combate ao assédio”, disse a secretária geral da DS/DF, Luciana Guirelli Ábrego, que acompanhou os debates.
Além de tratar de violência política de raça e gênero, o congresso trouxe painéis sobre políticas afirmativas, experiências de enfrentamento à violência institucional e riscos psicossociais (NR-1). Em sua segunda edição, o evento buscou promover o intercâmbio de experiências e a construção de propostas concretas para tornar o serviço público mais justo, inclusivo e democrático.
Na fala de encerramento, a presidente do Sinditamaraty Gabriela Perfeito sintetizou quatro diretrizes consideradas essenciais para o combate efetivo ao assédio e à discriminação no serviço público. Uma delas, o acolhimento eficaz e humano, com a disponibilização de canais que não penalizem as vítimas. Também foi destacada a necessidade de criação e aplicação efetiva de portarias, leis e normas claras que garantam seriedade e constância ao enfrentamento.
O combate institucional foi outro ponto identificado por Gabriela Perfeito, uma vez que, segundo ela, o assédio ocorre por conta da permissão que as instituições dão para que essas situações ocorram. Por fim, a dirigente sindical citou o direito a ambientes de trabalho mais seguros, pois, com mais equidade resultam em serviço público mais produtivo para toda a sociedade.











