Fonte: FSB Comunicação
O Brasil exportou 411 novilhas da raça Girolando para Botswana, no continente africano, em operação que contou com rígida fiscalização de auditores fiscais federais agropecuários (Affas). Os animais foram enviados em dois embarques no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), realizados nos dias 25 e 28 de setembro, após um período de quarentena e o cumprimento das exigências sanitárias estabelecidas pelo país importador.
A exportação tem como finalidade a formação de um plantel destinado à produção de leite em Botswana, em uma iniciativa desenvolvida por meio de parceria público-privada. A operação envolve, além do envio dos animais, a utilização da genética bovina brasileira para estruturação da produção leiteira local.
Antes do embarque, as novilhas permaneceram durante 30 dias em uma propriedade de quarentena acompanhada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Auditor Fiscal Federal Agropecuário André Marcondes, responsável pela fiscalização da operação, explica como ocorre todo o processo. “Há um acompanhamento durante a quarentena. Um Auditor Fiscal Médico Veterinário do MAPA antes da abertura da quarentena inspeciona o local primeiro e só após a sua autorização ocorre a entrada dos animais na propriedade. Depois que todos os animais deram entrada, o embarcador é lacrado e a quarentena tem início. Durante o período da quarentena são realizados os exames para as doenças exigidas pelo país importador e, após a verificação final das condições sanitárias dos animais ocorre a liberação do embarque pelo MAPA. Os animais então seguem para o aeroporto em caminhões lacrados, sendo realizada nova conferência no aeroporto para assegurar que todas as condições sanitárias estabelecidas foram cumpridas ”, explica.
Credibilidade sanitária
Para o Anffa Sindical, operações de exportação de animais vivos evidenciam a importância da atuação dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários na certificação sanitária e no cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Os profissionais atuam em diferentes etapas da defesa agropecuária, incluindo inspeção e fiscalização de animais e produtos, controle sanitário, certificação e atividades relacionadas à entrada e saída de produtos agropecuários do país.
O presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo de Macedo, destaca que a capacidade do Brasil de manter esse trabalho de fiscalização depende também de uma estrutura permanente de servidores. “Cada operação como essa exige conhecimento técnico, acompanhamento sanitário e responsabilidade na certificação oficial. É o trabalho do Auditor Fiscal Federal Agropecuário que permite ao Brasil assegurar ao país importador que os requisitos acordados foram efetivamente cumpridos. Por isso, fortalecer a carreira e garantir um quadro de profissionais compatível com a dimensão da produção agropecuária brasileira é fundamental para a continuidade desse trabalho”, afirma o presidente da Anffa Sindical.
Déficit
Atualmente, a carreira conta com 2.461 auditores ativos e déficit estimado em 1.233 profissionais, segundo levantamento da Anffa Sindical. Para a entidade, a recomposição do quadro é necessária diante da amplitude das atribuições desempenhadas pelos Affas e da necessidade de manter a capacidade de fiscalização e certificação do país.
“A ampliação do quadro não diz respeito apenas à rotina administrativa do serviço público. Estamos falando de profissionais responsáveis por atividades que impactam diretamente a defesa sanitária, a segurança dos alimentos e a capacidade do Brasil de atender às exigências dos mercados internacionais. A recomposição da carreira é necessária para que esse sistema continue funcionando com a estrutura adequada”, reforça o presidente da entidade.
No caso da exportação para Botswana, a atuação dos auditores permite que a operação seja concluída somente depois da verificação do atendimento às condições sanitárias previstas, contribuindo para a segurança do trânsito internacional dos animais e para a confiabilidade da certificação oficial brasileira.







