A recente importação de um grupo de porcos-espinhos-africanos pelo Zoológico de São Paulo chama atenção para a atuação dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários no controle sanitário de animais vivos que chegam ao Brasil. A operação, realizada no Aeroporto Internacional de Guarulhos, integra uma sequência de desembarques registrados nos últimos meses, que inclui espécies como cangurus, raposas e hienas.
Segundo o auditor fiscal federal agropecuário Luiz Carlos Teixeira de Souza Junior, que acompanhou a operação, há momentos em que determinados zoológicos concentram um volume maior de importações. Ele explica que esse movimento costuma ocorrer de forma pontual, a depender de estratégias institucionais ou da fase de estruturação dos espaços. “Já observamos esse comportamento em outros empreendimentos, como o Aquário de São Paulo e o Zooparque Itatiba. Em geral, há períodos em que as importações se intensificam”, afirma.
No caso mais recente, quatro porcos-espinhos-africanos, duas fêmeas e dois machos, vieram de um zoológico da França e foram submetidos à fiscalização ainda na manhã do desembarque, etapa em que os Auditores Fiscais Federais Agropecuários realizam o controle sanitário e a validação das condições de ingresso dos animais no país. Os animais viajaram em caixas individuais preparadas para garantir o bem-estar durante todo o trajeto, seguindo normas internacionais.
A inspeção incluiu a identificação dos animais por meio de microchips, avaliação das condições de saúde e verificação da documentação sanitária emitida pelo país de origem. Entre os critérios analisados estão o cumprimento de período mínimo de isolamento antes do embarque e a realização de tratamentos preventivos, como o controle de parasitas.
Outro exemplo recente foi a importação de cangurus-vermelhos, ocorrida em 5 de março, também no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Na ocasião, um grupo formado por um macho e três fêmeas, provenientes dos Estados Unidos, passou pelos mesmos procedimentos de fiscalização sanitária, seguindo os protocolos exigidos para a entrada de animais vivos no país.
A atuação integrada entre as equipes de fiscalização e os profissionais do zoológico é um dos fatores que contribuem para a segurança e a eficiência dessas operações. Segundo a médica veterinária responsável técnica do Zoológico de São Paulo, Maria Fernanda Gondim, o processo segue protocolos rigorosos desde a origem até a chegada ao país. “Essa inspeção que os animais passam na entrada e na saída do país faz parte do processo autorizativo e visa garantir a segurança sanitária e jurídica para a instituição. O protocolo do Zoológico de São Paulo é sempre trabalhar de forma cooperativa com as autoridades, buscando o cumprimento integral das normas e das melhores técnicas”, afirma.
Além da análise documental, o trabalho exige atenção redobrada no manejo dos animais, especialmente quando se trata de espécies silvestres ou exóticas. Nesses casos, a atuação integrada com as equipes técnicas dos zoológicos é fundamental para garantir segurança e agilidade no processo. “A interação com tratadores e técnicos que já lidam com esses animais no dia a dia é essencial. Isso reduz riscos tanto para os profissionais quanto para os próprios animais e contribui para uma liberação mais rápida após o desembarque”, explica Luiz Carlos Teixeira de Souza Junior.
A fiscalização realizada nos pontos de entrada do país tem como principal objetivo prevenir a introdução e a disseminação de doenças que possam afetar a saúde animal e a produção agropecuária brasileira. O controle sanitário também é essencial para evitar impactos que possam comprometer cadeias produtivas e a segurança alimentar.
Para o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo de Macedo, a atuação dos auditores nesses casos vai além da inspeção técnica e tem impacto direto na proteção do país. “Quando um animal cruza fronteiras e chega ao Brasil, é nesse momento que ocorre a primeira barreira de controle sanitário. Esse trabalho é fundamental para evitar a entrada de doenças e garantir que todo o processo atenda aos padrões internacionais, protegendo não apenas os animais, mas também a agropecuária e a saúde da população”, destaca.
Ele ressalta que, embora operações envolvendo animais exóticos despertem maior atenção do público, esse tipo de fiscalização faz parte da rotina nos aeroportos brasileiros. “Todos os dias, cargas vivas entram no país e passam por avaliação técnica rigorosa. O que muda nesses casos é a complexidade da operação, mas a missão permanece a mesma: proteger o Brasil de riscos sanitários e assegurar que os animais sejam transportados em condições adequadas”, conclui.
Sobre o ANFFA Sindical
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) é a entidade representativa da carreira de auditor fiscal federal agropecuário (Affa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Com atuação em todo o território nacional, representa auditores ativos, aposentados e pensionistas e atua na defesa das prerrogativas da carreira e no fortalecimento da fiscalização federal agropecuária.
Os auditores fiscais federais agropecuários desempenham papel estratégico na segurança alimentar e na economia brasileira, com atuação em toda a cadeia produtiva, do campo à mesa, desde a fiscalização em propriedades rurais e indústrias até o controle sanitário no comércio e no consumo final. Também atuam na vigilância agropecuária internacional em portos, aeroportos e fronteiras e na certificação sanitária que viabiliza exportações e importações de produtos agropecuários.
Fonte: FSB Comunicação – Assessoria Anffa Sindical






