30
Qua, Set

Notícias do Sindicato

A data de 9 de setembro é lembrada como o Dia do Médico Veterinário. Uma das profissões que compõem a carreira de AFFA (Auditor Fiscal Federal Agropecuário), a especialidade é de essencial importância para as atividades relacionadas ao agronegócio, pois está intimamente ligada à inspeção e a certificação de todos os produtos de origem animal consumidos por aqui e exportados de nosso país, além de todos os insumos para a agropecuária.

Tamanha importância também se revela no défict de profissionais desta área e na iminente necessidade de realização de concurso público no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), uma vez que, com as constantes aposentadorias, o efetivo não atende as demandas geradas em todo o território nacional. Soma-se a isso, o risco colocado à saúde pública com a possibilidade de contratação de médicos veterinários temporários, no trabalho de inspeção ante e post mortem, para atuarem nas plantas frigoríficas conforme prevê o decreto n. 10419.

Durante o período da pandemia provocada pelo novo Coronavírus, a carreira, que foi considerada essencial para a manutenção dos serviços no país, viu também, na força desses profissionais, o agronegócio alavancar as exportações em até 17%, apesar de todas as dificuldades impostas pela falta de pessoal e de condições adequadas de trabalho.

“A categoria médica veterinária é uma das cinco profissões que compõem a carreira de AFFA, inclusive, tendo o maior quantitativo de profissionais no efetivo total, até pela demanda de trabalho. Eles atuam na área de inspeção de produtos de origem animal, na área de vigilância agropecuária internacional, também na área de laboratórios, mas, sobretudo na defesa agropecuária animal. É uma profissão essencial para o agronegócio brasileiro. Parabéns e o nosso muito obrigado por estarem cuidando da saúde pública e da segurança alimentar”, ressaltou o presidente do Anffa Sindical, Maurício Porto.

Na busca de maior valorização, a entidade vem perseguindo, no constante debate da pauta de negociações com o Governo, a edição de novo concurso para essa e as demais áreas que compõem a carreira, além da convocação dos excedentes do último certame. Embora o país esteja vivenciando um momento de corte de gastos no âmbito do Executivo, o Sindicato continuará na luta por este pleito, considerado legítimo e fundamental para a economia e para a sociedade. Além, claro, de condições dignas nas atividades de inspeção, com revisão das condições impostas nos turnos extras de abate.

Exemplos – Atuante por 16 anos na área de inspeção de produtos de origem animal, o AFFA médico veterinário Orasil Romeu Bandini ajudou o país a garantir a segurança alimentar dos produtos consumidos pelos brasileiros e pelos consumidores de centenas de países por onde os produtos nacionais eram vendidos.

“Durante 31 anos trabalhando no MAPA, metade foram labutando na área de saúde animal, na proteção dos nossos rebanhos e, com isso, impedindo que os animais sejam acometidos de doenças, num trabalho preventivo. Também evitando que nós, humanos, venhamos a ser acometidos por doenças transmitidas por eles”, explicou

Ele diz, orgulhoso, que a profissão de médico veterinário é uma das mais bonitas e que tem orgulho de ter escolhido esse caminho. “Infelizmente, grande parte da população reconhece o médico veterinário como apenas o doutor dos cães e gatos. Essa é apenas uma das áreas das nossas atribuições. Labutamos também na área de inspeção de produtos de origem animal, fazemos parte da linha de frente ao combate de zoonoses, vigilância sanitária e epidemiológica. Temos competência para trabalhar em laboratórios, na produção de vacinas para animais e seres humanos, além de consultorias, entre outras”, completou.

Com mais de 30 anos atuando em saúde animal, o AFFA Jorge Caetano trabalha na Defesa Agropecuária. Ele coloca que o consumidor brasileiro, de modo geral, acredita que a pujança da agricultura brasileira é resultado das privilegiadas condições naturais do Brasil: farta disponibilidade de terras, de água e de luz solar. Mais recentemente, com maior acesso à informação, parte dos consumidores começou a associar a produção agropecuária à tecnologia, mas ainda está distante a compreensão do papel essencial das políticas públicas e privadas como terceiro elemento. “Ocorre que o emprego do mesmo pacote tecnológico, em condições físicas ambientais semelhantes, mas com um risco sanitário maior, produzirá, em consequência das perdas diretas e indiretas por doenças e de mercados mais restritos, menos riquezas para o conjunto da sociedade”, informou.

Para ele, a principal missão da área de saúde animal é contribuir para a criação e manutenção de um ambiente sanitário no país. “Que agregue valor aos produtos de origem animal, em benefício dos brasileiros. Essa é, em última análise, a essência dos programas sanitários, das atividades de vigilância e das ações relacionadas ao enfrentamento de emergências sanitárias”, acrescentou.

Conforme Caetano, no dia 9 de setembro, assim como em outras datas comemorativas, alusivas às demais categorias de profissionais que compõem a carreira de Auditor Fiscal Federal Agropecuário, cabe comemorar as conquistas e, por seu intermédio, renovar as energias para corresponder à honrosa responsabilidade confiada.

A AFFA Consuêlo Garrastazu está na Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e reforça a importância da profissão como médica veterinária junto ao comércio internacional de produtos agropecuários. “O Brasil despontou nas últimas décadas como uma potência agropecuária, produzindo para alimentar a população interna, exportar grãos e proteínas.

Minha experiência como chanceladora desses produtos para exportação reitera tal questão. Da mesma forma, nossa atuação junto ao Vigiagro, na inspeção de cargas e bagagens de viajantes oriundos do exterior, é importantíssima e objetiva minimizar ou impedir a entrada de pragas e doenças no Brasil, protegendo a nossa agropecuária”. Garrastazu enaltece o que a data simboliza para ela e demonstra a relevância da profissão na vida das pessoas. “Temos o dever de prevenir e curar doenças dos animais, mas sempre tendo como objetivo maior o serviço à humanidade”, enfatiza.

Na Inspeção Federal há 35 anos, o AFFA aposentado Tedesco Silva fortalece a categoria que atua nesta área, principalmente com relação à saúde pública. “O trabalho sempre esteve voltado para a saúde pública com a manutenção do melhor padrão higiênico, sanitário e tecnológico e, com isso, garantir alimentos seguros e saudáveis na mesa do consumidor. O reconhecimento do trabalho dos AFFAs é significativo nacionalmente e, em nível internacional, colaboramos decisivamente para manutenção de mercados já conquistados e abertura de inúmeros outros novos mercados. Isso nos realiza e enche de orgulho como médico veterinário e Auditor Fiscal Federal Agropecuário!”.

A AFFA Theomar Figueiredo atua no Mapa na área de produtos veterinários, por meio da atividade de registro e a fiscalização de estabelecimentos fabricantes, importadores, farmácias de manipulação, laboratórios de controle de qualidade e de seus respectivos produtos. “Sinto que contribuo com a missão institucional do Ministério da Agricultura, de promover o desenvolvimento sustentável da agropecuária, segurança e competitividade de seus produtos.

A fiscalização, sob a ótica do setor de produtos veterinários, é uma das ferramentas para se atingir a saúde dos animais, e a saúde pública de forma integrada, mediante a oferta de produtos seguros e eficazes no mercado. O exercício da fiscalização dá voz aos que não podem ou não sabem como fazê-lo, como a criança que tem amor pelo seu animalzinho de estimação, os pecuaristas, desde o mais humildes, até os grandes geradores de riqueza”, esclarece. Esta é a profissão escolhida por ela e orgulha-se por exercê-la tão bem. “Cada dia é um novo aprendizado e me sinto plenamente realizada na carreira. É com muito orgulho que digo que há 18 anos sou Auditora Fiscal Federal Agropecuária do Mapa”, exclamou.

O AFFA Adriano Guahyba é médico veterinário na área de inspeção e lembra que passou cinco anos e meio estudando conteúdos aprofundados sobre animais, como: anatomia, fisiologia, imunologia, farmacologia, produção, parasitologia, patologia, epidemiologia, nutrição, bem-estar animal, diagnóstico clínico, inspeção sanitária de produtos de origem animal e saúde pública. Ele afirmou que dominar esse conteúdo é essencial para que o médico veterinário tenha competência privativa na inspeção e fiscalização de produtos de origem animal. “Além da maioria dos assuntos estar exclusivamente incluída na grade curricular do curso de Medicina Veterinária, o interelacionamento de um com os outros só é conseguido plenamente pelo Médico Veterinário”, completou.

Ele citou ainda o aspecto legal da profissão regido pela Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1968, que dispõe sobre o exercício da profissão de médico veterinário e cria os Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária. “Como pode ser observado, existem argumentos técnicos, científicos e legais para a privaticidade de ação do médico veterinário na área de inspeção e fiscalização de produtos de origem animal”.

Já o AFFA médico veterinário Carlos Magioli, hoje aposentado, mas experiente na atuação junto ao Vigiagro, se recordou sobre a importância da fiscalização sanitária de alimentos nas barreiras internacionais. Ao citar dados de apreensões no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, que são parte de sua tese de doutorado, o colega fez questão de exaltar a condição pela qual o AFFA nessa especialidade é tão necessário. “No período entre 2010 e 2014 foram feitas, pelo Serviço de Vigilância Agropecuária no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, 17.233 apreensões de 86 tipos de produtos de origem animal diversos, provenientes de 93 países de todos os continentes, num total de 29.239,466 quilogramas, em 9.586 voos fiscalizados”.

Hoje coordenador-Geral de Produtos de Uso Veterinário do Departamento de Saúde Animal, vinculado à SDA, o AFFA José Ricardo Lôbo, atua com a disponibilidade e qualidade de insumos como os produtos de uso veterinário, que incluem medicamentos, vacinas, kits de diagnóstico, dentre outros. “Os produtos veterinários são fundamentais na salvaguarda da saúde animal e pública, na manutenção do status sanitário do país, bem como para o desenvolvimento de políticas eficientes de gerenciamento de resíduos”, esclareceu.

Ao reiterar o papel desse profissional no campo dos produtos para a saúde animal, mesmo antes do registro desses produtos no MAPA, ele ressaltou função na realização de estudos clínicos em que são avaliados aspectos como estabilidade do produto, eficácia, segurança e depleção de resíduos.

“Após o registro, os conhecimentos do médico veterinário têm especial papel nas boas práticas de transporte, conservação e emprego dos produtos, garantindo os melhores resultados. Abordando o conceito de saúde única e, a exemplo da importância do papel do profissional nesse campo, a cada dia o médico veterinário tem sido mais demandado a interferir para o uso responsável dos antimicrobianos, algo que atualmente deve ser encarado como prioridade”, detalhou.

Com expertise no Lanagro, mais especificamente o de Minas Gerais, o médico veterinário Pedro Mota lembrou do suporte laboratorial aos programas sanitários oficiais no MAPA. “Ao Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, demos uma atenção especial, onde temos realizado dezenas de cursos de referência para os professores de diversas universidades brasileiras que oferecem treinamento para habilitar médicos veterinários autônomos”. Ele também citou a realização de exames bacteriológicos moleculares e histopatológicos, materiais suspeitos de tuberculose e brucelose, oriundos dos frigoríficos brasileiros.

“Também participamos de comitês científicos, produzimos insumos de referência, analisamos produtos de uso veterinário e atuamos no controle de alimentos de origem animal para exportação e consumo interno. Gostaria também de lembrar da nossa importante missão na realização de exame molecular para diagnóstico do Coronavírus”, concluiu. 

0
0
0
s2sdefault