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Até o fim deste ano, o AFFA (Auditor Fiscal Federal Agropecuário) terá mais uma facilidade na hora de determinar as ações fiscalizatórias. É que a SDA (Secretaria de Defesa Agropecuária), em trabalho conjunto com a CGAL (Coordenação-Geral de Laboratórios Agropecuários), desenvolveu sistemas informatizados na forma de blocos que permitirão congregar as informações, por meio de cruzamento de dados que otimizarão as atividades desses servidores.

“Essa plataforma, batizada de Hub Laboratorial, facilitará o gerenciamento de informações, muitas delas desconectadas, uma vez que algumas áreas têm o sistema operativo funcionando relativamente bem, mas outras ainda guardam os dados em planilhas de excel”, afirma o coordenador da CGAL, Rodrigo Nazareno.

A novidade permitirá, por exemplo, que o AFFA rechace a carga analisada ou autorize sua comercialização através de comandos via internet e não mais nos moldes atuais, onde o servidor precisa cumprir várias etapas até o preenchimento de um formulário. Hoje, ele imprime este documento, faz uma embalagem adequada e manda para conferência no Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário). Chegando lá, outro agente vai receber aquela informação e a redigita, tranferindo os dados para um computador.

Para Nazareno, a chance de equívoco nas informações começa com a duplicação de informação, que gera um ponto crítico de confiabilidade e perda de tempo no processo como um todo.

“Hoje o sistema SEI, que todos conhecemos, substitui o processo administrativo físico, mas não é adequado para receber resultados laboratoriais que propiciem a agilidade necessária. Com o Hub Laboratorial é diferente. Ele é específico para isso e vai avisar quando o resultado estará pronto, por exemplo. Esse resultado pode ser conferido via web e, partir daí, já pode ser preparada a ação fiscalizatória”, pontuou o coordenador da CGAL.

A iniciativa da SDA/CGAL é uma resposta à Operação Trapaça, deflagrada em março deste ano e relacionada à fraude na emissão de resultados de análises laboratoriais. “Recebemos um golpe de laboratórios credenciados fazendo atividades fraudulentas, devido a um ponto cego por falta de informatização de dados. A fraude se instala onde não há transparência”, justifica.

Rodrigo Nazareno explicou que esse sistema informatizado permitirá verificar, por exemplo que, se determinado laboratório está processando uma quantidade não compatível de amostras, será possível deslocar AFFAs para aquele local e fazer uma investigação mais detalhada para, se necessário, debelar ou inibir comportamentos fraudulentos antes de afetar o mercado.

Inicialmente, o sistema Hub Laboratorial passará a operar no setor avícola, na análise de salmonella. Rodrigo Nazareno ressalta que para acessarem a plataforma, os AFFAs farão um treinamento. Ele ressalta ainda que essas novas tecnologias vão ao encontro das necessidades do agronegócio brasileiro, que tem uma meta arrojada para os próximos 20 anos.

“Se a defesa agropecuária não se adequar a esse cenário dificilmente atingiremos um patamar acima do que já estamos. Então, acho que o AFFA tem que começar a trabalhar com a inteligência, usar a Tecnologia da Informação e a retroalimentação para análise com base em risco de maneira a melhorar o planejamento de nossas ações. O Auditor Fiscal Federal Agropecuário é o profissional que melhor entende o que é estratégico para a defesa agropecuária. Ele tem que ter essa percepção do que é relevante para a agropecuária nacional”, conclui.

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