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A possibilidade de retomada das exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos, como foi discutida no encontro entre representantes do governo brasileiro e do americano no último dia 19, pode ajudar a colocar o Brasil como referência no mercado mundial de carne, segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical). Os Affas são responsáveis pela fiscalização da carne que é exportada e importada.

O país tenta a exportação do produto in natura desde 1999 e alcançou essa meta em 2016. Porém, em 2017, o acordo foi cancelado devido aos abscessos encontrados nas carnes exportadas, que foram causados por um dos componentes na vacina contra a febre aftosa: o adjuvante saponina.

“Depois disso nós tivemos a proibição do uso da saponina nas vacinas”, explica o diretor de política profissional do Anffa Sindical, Antônio Andrade. A fiscalização e controle de qualidade da vacina contra febre aftosa também é de responsabilidade dos Affas.

“O importante dessa exportação não é necessariamente o valor, já que o volume exportado para os Estados Unidos seria baixo. O importante é o valor simbólico, já que a certificação do sistema de defesa agropecuária americano é uma referência para outros países”, continua Antônio.

Segundo o diretor, o ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, chegou a ir algumas vezes a Washington para negociar a retomada das exportações, mas sem sucesso. Durante o encontro entre representantes do governo dos dois países, que contou com a presença da atual ministra Tereza Cristina, os Estados Unidos prometeram mandar missões para verificar a atual situação da produção de carne brasileira.

“Eles vão encontrar um cenário em que o Brasil está livre da febre aftosa em todo o país, com a proibição da saponina nas vacinas”, disse Antônio. “Por outro lado, tivemos operações policiais nesse período, como a Carne Fraca, e o Brasil ainda está no processo de reconstruir sua credibilidade”, continua.

Em contrapartida à reabertura do mercado americano para a carne bovina in natura brasileira, os representantes dos dois países anunciaram a possibilidade de importação da carne suína pelo Brasil. Atualmente, o estado de Santa Catarina – o maior produtor suíno do país – já obteve autorização para exportar, mas apenas pequenos volumes.

“Os dois países possuem semelhanças em relação a esse produto, eles são concorrentes”, conta Antônio. “Nós exportamos hoje apenas alguns poucos contêineres de costelinha suína, um prato muito valorizado por lá, o que é um volume muito pequeno. De qualquer forma, do ponto de vista de referência sanitária, é interessante ter essa bilateralidade que foi conversada no encontro”, finaliza.

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